No final de
agosto, a cena clubber brazuca foi surpreendida com a notícia do fechamento de
uma de suas mais tradicionais boates: o Anzuclub, que está prestes
a completar duas décadas, anunciou seu apagar das luzes. “Queremos agradecer a
todos vocês que fizeram parte da nossa história […]!
E agora
chega o momento de comemorar, encerrar e eternizar esse ciclo”, disseram
em comunicado oficial, anunciando a festa de 20 anos da casa, que também
marcará a despedida.
Para
entender melhor o motivo da decisão, a Phouse entrou em
contato com Milton Muraro Filho, o Miltinho, sócio-diretor e
fundador do Anzu.
Ele
explicou que a casa, na verdade, ultrapassou por muito o seu tempo de
existência inicialmente planejado, e que o fechamento deve ser encarado como
algo natural. “O Anzuclub foi projetado desde sua concepção para um
tempo de duração pré-determinado. Na época, o business plan calculado
foi de sete anos. O negócio rompeu essa barreira e mais que dobrou a
expectativa dele próprio, atualmente com 20 anos.
A
responsabilidade de gestão como único sócio e o tempo que tenho que
me dedicar à noite me fizeram, nesses últimos anos, reavaliar meus
projetos de vida. Poder dividir esse tempo com a minha família foi o
que pesou para a decisão do encerramento”, disse.
“É uma
decisão natural de um ciclo que se encerra. Lógico que existe um apego
emocional muito forte, afinal são 20 anos que fiquei à frente do negócio, mas a
razão me mostrava que estava na hora de parar, e a festa de 20 anos é
o momento mais correto para isso.
Quero
deixar um legado como uma história bonita e íntegra, para ser lembrada para
sempre”, concluiu.
Os planos
do empresário agora são de dar um tempo na noite, tocando os negócios da
família nos ramos de desenvolvimento imobiliário e de joalheria. Miltinho ainda
ressalta que este é o posicionamento oficial da casa, e que outras declarações
dadas anteriormente à imprensa sobre o caso foram feitas por pessoas que não
representam a comunicação do Anzu.
Agora, a
despedida em grande estilo será na festa de 20 anos, no dia 07 de outubro.
Opção
de mercado
A decisão
de encerrar as atividades foi, segundo Muraro, uma simples "opção de
mercado". Ele diz que as raves, os grandes festivais e festas informais,
com um custo de operação menor, inflacionaram o mercado e diminuíram o público
nas baladas do segmento.
"Hoje
temos uma moeda muito desvalorizada para ofertar grandes cachês. Além disso, o
mercado abriu muito. Há 10 anos a Europa era o grande player. Hoje, Ásia e
Estados Unidos são os maiores consumidores desses artistas, o que elevou
bastante as ofertas. Temos um cenário totalmente corrompido, as práticas das
chamadas “agências” de Djs, que deixaram de ser prestadores de serviços para
serem os principais concorrentes dos clubes", explica o empresário.
Ele conta que o espaço deverá reabrir em breve, com nova marca e com foco em eventos corporativos, casamentos, formaturas e festivais. O ramo das baladas, segundo Muraro, tornou-se praticamente inviável no Brasil. "O clube não funciona mais, a ideia é atingir outro mercado. O clube foi criado para comportar isso. A montagem do prédio acaba sendo viável para esse tipo de evento, então vamos trabalhar apenas com isso a partir de agora", diz.
A ressaca de quem esteve na última noite do Anzu, pelo jeito, será eterna.









