A História .....
O Cine São João foi inaugurado em
meados da década de 1950 na Vila Matilde, zona leste de São Paulo.
Construído
por Vicente Melito de Oliveira, escrivão do 7º ofício cível, o cinema
rapidamente se tornou um dos principais pontos de lazer do bairro. Com sua
fachada imponente e estilo modernista, o São João exibia filmes populares da
época, como os clássicos de Mazzaropi, aventuras de Tarzan, e sucessos do
cinema nacional e internacional. Durante décadas, o cinema foi palco de
encontros familiares, namoros adolescentes e tardes de diversão para os
moradores da região. Era mais do que um espaço de projeção era um símbolo
cultural da Vila Matilde.
O encerramento e a transformação (início dos anos
1970) Com a chegada da televisão e a mudança nos hábitos de lazer, o Cine São
João encerrou suas atividades no início da década de 1970. Mas o prédio não
ficou abandonado por muito tempo. Em vez de desaparecer, ele renasceu com uma
nova proposta: transformar-se em uma casa noturna. Foi então que surgiu a Toco,
inaugurada oficialmente em 1972, ocupando o mesmo espaço físico do antigo
cinema. A proposta era ousada: criar uma danceteria de grande porte, com som de
qualidade, iluminação moderna e uma programação voltada para os jovens da
periferia paulistana. A era de ouro da Toco (1970–1990)
A Toco rapidamente se
tornou a maior danceteria do Brasil, e uma das mais influentes da América
Latina. Nos anos 70, 80 e 90, ela foi palco de revoluções musicais: do rock e
disco music, passando pelo black music, new wave, rock Brasil, até chegar ao
house, acid house e jungle. A casa lançou DJs lendários como Iraí Campos e
Marky, e foi sede de festivais que marcaram época. Jovens de toda São Paulo e
até de outros estados, vinham à Vila Matilde para viver a experiência única da
TOCO.
O prédio, que antes abrigava o Cine São João, agora pulsava com luzes,
sons e energia. O legado Mesmo após o encerramento das atividades da TOCO, o
prédio permaneceu como símbolo da cultura jovem da zona leste. Muitos ainda se
referem à Toco como ponto de referência, e o Cine São João como o berço de
tudo. A trajetória do edifício é um exemplo raro de como um espaço pode se
reinventar e continuar impactando gerações
